sexta-feira, 21 de junho de 2013

QUE EU DESORGANIZANDO, POSSO ME ORGANIZAR...


“Maio, nosso maio” foi repleto de mobilizações em todo o Brasil e apesar das festas realizadas nos quatro cantos do mundo, houveram movimentos sociais e partidos políticos em meio às ruas, gritando e protestando: “As mãos pra cima, punhos erguidos, é dia 1º, dia de LUTA! Vem pra rua agora, conquistar direitos, é dia 1º, dia de LUTA!”. Pautando as bandeiras de lutas históricas, arduamente defendidas pelas organizações de esquerda, vamos cotidianamente defendendo com unhas e dentes a universalização dos direitos sociais conquistados.

Chega o mês de junho, culturalmente, é mês de festa no Nordeste. Cidades repletas de bandeirinhas coloridas, balões, fogueiras e povo na rua. Mas agora, além da festividade junina que está por vir, temos pessoas nas ruas, gritando, cantando e lutando pelos nossos direitos. Milhares de pessoas, em todo o Brasil, seguem em marcha, desde São Paulo à Belém, de Porto Alegre à Recife, formada por várias gerações e ideais. Nesse sentido, o momento histórico que estamos vivenciando, está repleto de contradições, permeado por avanços e retrocessos. 

É inegável a beleza e força contagiante ao ver tantas pessoas juntas, inclusive, aquelas que acreditam na impossibilidade da mudança e que estão indo pela primeira vez a um ato de rua, lutando por melhorias e mudanças concretas, a exemplo do estopim com o aumento da passagem de ônibus e sua consequente revogação em SP. Isso mostra que, coletivamente, temos força, e que a luta deve ser nas ruas. 

Entretanto, a heterogeneidade de reinvindicações e da formação do processo político em que se gesta às atuais mobilizações nos inquieta, tendo em vista as disputas dos projetos de sociedade: direita e esquerda. Há quem diga que somos uma única nação, e essa é uma das mais perigosas afirmações, negando a existência daqueles que, cotidianamente, exploram e dos que são explorados. 

A direita vem se utilizando da justa indignação da classe trabalhadora para pautar lutas despolitizadas, como a CORRUPÇÃO. Isso não significa dizer que somos a favor da corrupção, ao contrário, também somos contra (toda a Esquerda), assim como FHC, Collor, Jarbas Vasconcelos e todos os políticos da direita. Sendo assim, esse discurso contra a PEC – 37 esvazia o conteúdo político de lutas reais e necessárias para a massa que está nas ruas, como o PASSE LIVRE para estudantes e pessoas desempregadas; TARIFA ÚNICA nas Regiões Metropolitanas, colocando abaixo a existência dos diferentes anéis/preços; REDUÇÃO das tarifas e do LUCRO das máfias do transporte público; dentre outras pautas, como um maior investimento do PIB na EDUCAÇÃO (10%) e SAÚDE PÚBLICA; a DEMOCRATIZAÇÃO dos meios de comunicação, pela JORNADA de 40h, etc. 

O projeto da direita é viabilizado pelos grandes grupos empresariais, a exemplo da mídia com a Revista Veja e a Rede Globo, que apenas notificam os conflitos e brigas que estão acontecendo nesses protestos, além de incitar que toda essa mobilização seja apartidária, culminando na defesa do anti-partidarismo. A maioria dos que estão nas ruas e nas redes sociais está sendo manipulada, sem se dá conta da reprodução de toda a-criticidade propagandeada. Também é notória, a utilização de outros mecanismos pela direita, inclusive, possuindo uma simbologia positiva entre vários manifestantes, como o Anonymous. 

Diante dessa conjuntura, precisamos estar atentos a tudo que vemos, lemos, ouvimos, precisamos desconfiar do óbvio. O medo de ser “massa de manobra” dos partidos de esquerda está fazendo com que a população, ainda sim, seja manobrada. Precisamos da UNIDADE entre as forças que sempre pautaram mudanças contra a exploração vivenciadas e do entendimento do POVO sobre o atual cenário. 

As bandeiras de lutas defendidas durante décadas pela Esquerda são as mesmas do POVO BRASILEIRO, dos que acordam às 4h/5h da matina para irem trabalhar, que se utiliza de vários ônibus ao longo do dia, para ir e voltar da labuta diária, os que destinam boa parte do seu salário em um transporte público caro e sem qualidade. Nessas manifestações em todo o Brasil estão presentes, os que sofrem e lutam diariamente. Há uma efervescente indignação ao descaso vivido e isso significa uma CHAMA DE ESPERANÇA. 

Nessa BATALHA DE IDEIAS, a luta se concretiza nas ruas, ultrapassando o discurso de “massa alienada” e politizando os espaços, em um sentido de conscientização coletiva e emancipatória. Devemos vencer o ufanismo da pátria amada, ressignificando nossa “ordem e progresso” em prol de um projeto popular, DO e PARA o povo. Superando, também, o derrotismo e generalizações, pois “nada deve parecer impossível de mudar”, como já disse Brecht. O momento é de termos muita mística e agitação nessa disputa de mentes e corações. Sabendo que desorganizando, podemos nos organizar, além da certeza de que sempre é preciso fazer muito mais. 


Silvana Crisostomo - militante do LEVANTE POPULAR DA JUVENTUDE!!


“Eu acredito
É na rapaziada
Que segue em frente
E segura o rojão
Eu ponho fé
É na fé da moçada
Que não foge da fera
E enfrenta o leão
Eu vou à luta
É com essa juventude
Que não corre da raia
À troco de nada
Eu vou no bloco
Dessa mocidade
Que não tá na saudade
E constrói
A manhã desejada...”
“E Vamos à Luta” - Gonzaguinha