sexta-feira, 21 de junho de 2013

Novos ares

O gigante nunca adormeceu
Assinam: Carlos Marighella, Aurora Maria, Maria Laly, Mailde Pinto, Juliano de Siqueira, revolucionárixs do Levante de 35, Clara Camarão, Hélio Vasconcelos, Frei Tito, Pagú, Antônio Conselheiro, Zumbi, Dandara...

            Natal e o Brasil estão presenciando um momento de virada. Não, camaradas, nunca dormimos, a história de nosso país foi marcada por muita luta entre xs exploradxs e os opressores, muito sangue foi derramado até aqui, companheirxs do campo foram assassinadxs por ousarem reivindicar uma melhor distribuição de terra, negrxs foram torturadxs e mortxs justamente por serem negrxs e muitos militantes de esquerda foram presos. Não, camaradas, isso não foi só em 64 e nos anos produzidos por ele, mesmo após a implantação de um regime “democrático” as atrocidades totalitárias persistiram atormentando aquele que se insurgia contra uma ordem exploradora.
            Não, camaradas, não chegamos até aqui na calmaria de quem veleja, mas sim através de muita tempestade, em cada paralelepípedo das ruas que homenageiam torturadores, na terra de cada latifundiário, no chão de cada fábrica há muito sangue e suor de negrxs, índios, operárixs, camponeses, homens e mulheres que foram exploradxs até dizer não, e nosso hino, camaradas, é o grito das mulheres estupradas nos porões do DOI-CODI, o choro das crianças separadas de seus país, os soluços das famílias destruídas, os gritos de dor dxs torturadxs em regimes ditatoriais e democráticos. Nosso canto nunca se calou, nós nunca nos deitamos em berço esplêndido, estivemos sempre de pé, insones, esperando uma aurora rubra.
            E mais uma vez uma multidão sai às ruas trazendo no peito muita indignação, muitos gritos contidos, muitos sambas no escuro. Não, camaradas, a juventude não está calada e nem permanecerá. Inaugura-se no Brasil e em Natal novos ventos, novos ares. E esses ventos trazem mudanças de trajetos. Estamos sendo protagonistas de um processo ainda incerto, nossos ventos ainda são sem direcionamento, mas claramente traz consigo uma chama renovadora. Todos os atos realizados nacionalmente trazem a indignação e a energia de uma juventude silenciada pelas políticas de governos azulados, que finalmente conseguiram explodir nas ruas, vielas e becos dos centros urbanos, como um clamor por transformações, mas em que sentido? É preciso que nós, protagonistas de nosso tempo, estejamos atentos para identificarmos nossos reais inimigos, nossos principais algozes que se escondem nas asas do judiciário, do legislativo e do executivo, precisamos direcionar nossas energias, nossos braços transformadores, nossos gritos inconformados, para um sentido contra históricos exploradorxs do povo brasileiro.
            No entanto, camaradas, o alerta está dado, os setores conservadores submissos ao velho sentimento colonial e donos dos principais meios de comunicação não podem nem querem deixar tanta energia, tanta indignação tomar um direcionamento realmente popular, de fato transformador, por isso, camaradas, implantam pautas que nos distanciam do debate central, da análise sobre as raízes de nosso problema, que de forma alguma é corrupção, que de forma alguma é a existência de bandeiras, de forma alguma é a pluralidade. Não, camaradas, nossa luta não é por moral, é por direitos. Não é por centavos, é pela política pública mal aplicada, pela educação sucateada, pela periferia assassinada. Estamos na rua porque queremos, estamos na rua porque ela é nossa, estamos na rua juntxs porque ela sempre foi nossa, e permanecemos acordados ombro a ombro face a face, segurando nossas bandeiras, cantando os nossos hinos de luta, de rebeldia, gritando e soprando ares de mudança.
            Nós, brasileiros e brasileiras, latino-americanxs, exploradxs, estorquidxs, ocupamos o lugar que é nosso por direito, e não nos contentaremos com redução de tarifas de ônibus porque isso não nos basta, queremos um projeto de nação que privilegie seu povo, lutamos pelo projeto popular. Estamos na rua para lembrar o sangue derramado ao longo de nossa história e para mostrar que essa sociedade carcomida está grávida de outra sociedade completamente diferente, completamente nova, sem exploração, sem cura gay, sem opressão de classe, cor nem de gênero.


E por isso bradamos:

Juventude que ousa lutar…

Constrói o pode popular…