quinta-feira, 20 de junho de 2013

NOSSA LUTA É POR DIREITOS, E ISSO NÃO TEM PREÇO!



Há um tempo novo chegando, um tempo de grito rebelde que ecoa de tempos antigos. É o tempo do aprendizado da História. Tempo de aprender com nossas origens de resistir à colonização estranha de nosso chão e da vida que nele habita. É de novo o tempo de negras e negros revoltosos, tempo de Zumbi e de Dandara, tempo de maracatu nas ruas. É tempo de Canudos enfrentando a matadeira, tempo de campo e cidade expulsando latifúndios. É o tempo da coragem de dizer, tempo de divulgar verdades, de punir torturadores e quem mais queira calar as nossas vozes. É tempo de pular catracas, de empurrar a porta, de ocupar as ruas, tempo de mudar o nosso tempo. É o tempo de um povo seguindo sua marcha. É tempo de povo brasileiro.


Toda marcha para seguir necessita de um ponto de encontro. E eles nos forneceram... Como todo ano acontece, as tarifas de nossas latas de sardinha iam de novo aumentar, só que dessa vez resolvemos dizer NÃO, e em cada canto fizemos a cidade parar. Eles fizeram o que sempre fazem desde que o primeiro escravo levantou a cabeça: convocaram fuzis e cassetetes, espalharam a violência e nos acusaram de cometê-la. Contra a luta do povo, no entanto, todas as balas são perdidas. Ao contrário de baixar a cabeça saímos às ruas contra o chicote. Desnorteados, eles se reuniram às pressas na tentativa de nos comprar com centavos. Aqui e ali a passagem baixou e de norte à sul a mobilização aumentou. Nossa luta é por direitos e isso não tem preço!

Como não podem calar a nossa voz, mobilizam o monopólio da mídia para tentar deturpá-la. Querem de novo tentar transferir a luta das ruas para as telas de TV, transferir a vontade de conduzirmos o nosso destino para a expectativa de suas votações no congresso, querem transformar a luta por nossos direitos na luta por uma moral que nos aprisiona. É assim que eles cortam, recortam e exibem de nossas manifestações apenas as ideias mais gerais que lhes interessam. A direita adora as ideias gerais porque, ao generalizar, absolve. Mas o povo brasileiro não é ventríloquo e não há absolvição possível. Querem que lutemos apenas contra a corrupção, mas a corrupção é apenas um efeito e já conhecemos a raiz do problema: a transformação de nossos direitos em mercadoria. 

Eles corromperam a política para afastar a honestidade de nosso povo do exercício do poder. Agora eles se orgulham quando a juventude, descontente com essa mesma política tradicional, pede que se retirem as bandeiras dos partidos. O que eles não sabem é que a juventude está ensinando a fazer política nas ruas, caminho pelo qual o povo brasileiro aprende a costurar suas próprias bandeiras e tomar partido pela luta. Para cada bandeira retirada, mil bandeiras unitárias surgirão: pelo passe livre, pelo direito à cidade, contra a violência do Estado, pelo fim do monopólio da mídia, pelo direito à educação e à saúde pública e de qualidade, contra todas as formas de opressão... Todas essas já surgiram, muitas outras surgirão. Seu ponto de encontro são as ruas onde vamos desenhando um projeto popular de nação. Isso eles não entendem e não podem conceber porque nunca se identificaram nem com a nação, nem com seu povo. 

“Eles, eles, eles...” Afinal de contas, quem são “eles”? Eles tem nome e endereço. Eles usam a democracia para defender o golpismo e voam como tucanos. Eles são os empresários que compõe a máfia do transporte coletivo impedindo o direito de ir e vir nos centros urbanos; eles são a sede de lucro do capital da construção civil que formata cidades que não servem à cidadania; eles são os banqueiros que seguem especulando com nossas vidas; eles são latifundiários que lucram com o aumento do preço dos alimentos e envenenam nossas mesas; eles são as emissoras de TV, rádio e jornais que receberam sua concessão da ditadura e hoje exercem a ditadura da mídia em nome da concessão; eles são todos aqueles que lucram com a venda do direito à saúde e à educação; eles são aqueles que privatizam nossas vidas e leiloam nossas riquezas; eles são aqueles que querem usar a copa para impedir nosso direito de lutar. Se trata, enfim, de todos aqueles que tentam impedir o surgimento de uma nação que esteja a serviço do povo brasileiro. E é contra eles que lutamos!

Eles estão organizados e esperam que tudo passe. Mas o povo nas ruas vai desorganizando e aprendendo consigo mesmo a se organizar. É hora de somar forças com tudo aquilo que nos unifica e construir com mobilização popular o país que queremos. Vamos às ruas!

PELO PASSE LIVRE E PELO DIREITO À CIDADE!
CONTRA A CRIMINALIZAÇÃO DA LUTA!
PELO FIM DO MONOPÓLIO DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO!
E estamos apenas começando...

PÁTRIA LIVRE! VENCEREMOS!

Recife, 19 de Junho de 2013.

Eduardo Mara.