quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Nota do Levante Popular da Juventude em Apoio ao DCE da Universidade Federal Rural do Semi-Árido – UFERSA



O Levante Popular da Juventude vem por meio deste reforçar seu apoio a iniciativa do Diretório Central das e dos Estudantes (DCE), da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA), que no dia 03 de dezembro de 2013 mais uma vez deu-nos uma demonstração de seu protagonismo, criatividade e ousadia ao construir dentro da universidade espaços de cultura para a comunidade acadêmica e externa realizando o I Festival de Cultura da já referendada universidade. 

No entanto, a realização do evento dentro das dependências da universidade, inesperadamente não agradou a alguns grupos do corpo discente, principalmente devido a iniciativa da comissão organizadora em promover na primeira noite da realização do evento, a disponibilização de pinceis e tinta para que os participantes pudessem expressar suas reivindicações em alguns muros da UFERSA. Enquanto uns cantavam, outros recitavam poesia, já alguns pitavam frases que denunciavam as injustiças e as opressões sociais que tanto nos afeta, mas que também expressavam a alegria e irreverência típica de uma juventude que quer protestar, mas também quer se divertir. O muralismo, portanto, naquele momento, se configurava como mais uma forma de expressão artística da juventude, como tantas outras.

Acusados de vandalismo, e de depredação de prédio público, isso foi o mínimo do que se ouviu de uma minoria, que não gostou da iniciativa do DCE. Para além disso, alguns aproveitaram para realizar a crítica utilizando-se de comentários preconceituosos exaltando mais uma vez a homofobia e a criminalização dos movimentos sociais, quando nos dias que se seguiram ao muralismo teve início nas redes sociais e na própria sala de aula a perseguição e discriminação dos organizadores e das organizadoras e participantes na ocasião da realização do I Festival de Cultura.         

A universidade deve ser entendida como um espaço não apenas da construção de saberes acadêmicos, mas também de formação de sujeitos coletivos e individuais. Esse é um momento em que muitos de nós, nos defrontaremos com dilemas éticos e morais, e será nossa posição diante desses quem dirá quem realmente somos e no que acreditamos. O preconceito e a reprodução irrefletida deste só demonstra a nossa ignorância e a intolerância com as diferenças.  

O desafio que se coloca para todas e todos nós nesse momento, é, inicialmente conseguirmos abrir um canal para dialogar sobre nossas diferenças de concepções de mundo, e aí quem sabe no futuro, poderíamos nos unirmos e lutar lado-a-lado por uma universidade e uma sociedade verdadeiramente nossa, livre da intolerância e do preconceito, que para nós, serão sempre injustificáveis.




Levante Popular da Juventude,
11 de Dezembro de 2013


Fotos de Jackson Angell