Nêgo!
Eu tou cansado desta merda
Da violência que desmede tudo
Da minha liberdade clandestina
De ta no meio dessa briga
Eu tou cansado desta merda
Da violência que desmede tudo
Da minha liberdade clandestina
De ta no meio dessa briga
(Eddie)
Iniciada há alguns dias, as
publicidades do período mais festivo do ano, já começam a jogar na nossa cara realidades
do nosso tão medieval século XXI.
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Reprodução/Facebook |
As esperadas campanhas publicitárias
elaboradas especificamente para o carnaval começam a aparecer e a nos enojar.
Uma delas foi a da historicamente sexista cerveja Skol com o mote “Esqueci o ‘Não’ em casa”. Até aí, nenhuma
novidade. Uma cerveja fortalecendo a cultura do estupro. Por enquanto nada de
novo e espetacular.
Mas hoje me deparo com a campanha
do Ministério da Justiça que achou super válido e socialmente relevante lançar
a iniciativa: “#BebeuPerdeu: Bebeu demais
e esqueceu o que fez? Seus amigos vão te lembrar por muito tempo. Bebeu,
perdeu. Curta a vida sem beber”. A
justificativa foi de que isso era uma tentativa de conscientizar jovens de até
24 anos sobre os malefícios do álcool e sobre a violência contra a mulher no
carnaval.
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Reprodução/Twitter/JusticaGovbr |
Ambas as campanhas, são
minúsculos peixinhos no mar de propagandas publicitárias, que utilizam a
justificativa de “conscientizar” a mulher sobre o consumo exacerbado de álcool,
e a consequência óbvia desse consumo
- SER ESTUPRADA NÉ GENTI! Nenhuma, em momento algum, o mínimo esforço de citar
o agressor ou sequer reconhecer sua existência. Deixando nítido o conceito de
abuso sexual, suas atrizes e os responsáveis por ele; nunca sendo a sociedade
ou, imagine só, o homem.
Na propaganda da cerveja Skol
vemos a nossa liberdade de escolha sumir, nossa voz ser mais uma vez
silenciada. Querer curtir o carnaval é sinônimo de abuso sexual e esqueceram de
nos avisar. Já o Ministério da Justiça consegue indicar uma linha de raciocínio
brilhante. Indica o não consumo de álcool no carnaval e ainda explicita como
motivo principal para não beber (e por conseqüência não sofrer abuso) o conhecimento
das suas amigas sobre o fato. Sim amigas, porque pasmem, só existem mulheres
nesta peça publicitária genial.
O abuso sexual presente no
carnaval de todas as mulheres, aonde for, não tem agressor. Não tem sexo,
idade, nem rosto. E não se assustem quando for inteiramente nossa culpa.
“Curtam” o carnaval mas saibam que consumir álcool ou qualquer outra droga é
declarar publicamente em cima de palanque meu desejo pessoal e coletivo pelo
constante abuso físico e sexual, ou até aquele eventual estupro. Todos fixados,
a partir de sempre, na sua lista de expectativas para os futuros carnavais.
Campanha
do Ministério da Justiça:
http://g1.globo.com/bemestar/noticia/2015/02/ministerio-da-justica-tira-do-ar-publicidade-acusada-de-machista.html
Propaganda da Skol:
http://www.revistaforum.com.br/blog/2015/02/propaganda-de-carnaval-da-skol-e-alvo-de-criticas-feministas/
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