terça-feira, 9 de julho de 2013

11 de julho, Às ruas! Por um projeto popular para o Brasil!

                  Ônibus lotado, a passagem que só sobe, as linhas que não atendem a todas as regiões da cidade, motorista assumindo a função de cobrador, horas na parada esperando o busão? Tudo isso remete a realidade que vivemos, não? Bem como significa a precarização do transporte na nossa cidade. Percebe-se assim, que o tal “direito de ir e vir”, presente na constituição brasileira, continua no campo abstrato das ideias. Entretanto, as ruas alagadas em dias de chuva, fazem parte da realidade cotidiana da população, principalmente àquela das áreas periféricas. Estamos falando agora de um plano de mobilidade urbana? Mas o que seria isso? Qual sua relação com o transporte na cidade? Qual sua relação com o direito de ir e vir? Tais problemáticas tem uma relação íntima com o povo brasileiro e ao contrário do que nos mostra a mídia brasileira, com o discurso “o importante é o progresso da nação”, elas apresentam um retrocesso no campo dos direitos sociais e consequentemente, para o povo. Portanto, estamos falando de progresso para quem? Os hospitais continuam lotados, a educação deixando a desejar e a população continua a pagar... Se paga aquilo que consome e até o que deveria ser de direito, a sociedade do capital soube como mercantilizar. 
                “Não é por 20 centavos!” As lutas que ascenderam em Natal e no Brasil, trazem em sua concreticidade, uma negação a uma série de fatores impostos por esta sociabilidade. Significa então, que o povo acordou? Que seja! Mas significa, sobretudo que há um sentimento de inquietação com esse modelo de sociedade que explora e oprime uma parte da população. As ruas têm nos mostrado que esta parte, representa a maioria, representa o povo, que vivencia todas àquelas problemáticas anteriormente citadas. Percebe-se então, que o povo tem uma força. Assim, a tal palavra de ordem “o povo unido jamais será vencido” sai do campo das palavras para entrar no campo das ações, a cada luta popular tencionada, a cada conquista realizada. Conquista essa, vale ressaltar, do povo, uma conquista popular. Então, como progredir? Como caminharmos em busca de mais respostas concretas?
                 Percebe-se que para avançar, ao considerarmos a força do povo, é necessário que ele não só passe pelas experiências das ruas, mas também que se organize a fim de conquistar seus objetivos. Tais objetivos nada mais são que interesses comuns. Estamos então, falando de um projeto do povo para o povo? Um projeto popular? Sim. Pois se a realidade brasileira atual nos mostra que o que está em questão diz respeito às formas como esta sociedade está organizada, coloca-se em debate, as possibilidades de fazer reformas democráticas e populares, ou seja, reformas estruturais no país. Fala-se assim, de um transporte público, da democratização da mídia, de uma reforma agrária, de uma reforma política... Para além de pautas reivindicatórias, essas bandeiras de luta, constituem o projeto popular. Desta forma é importante ressaltar, que tal projeto não acaba em si, mas significa uma ferramenta necessária no caminho para uma sociedade onde sejamos totalmente livres.
                “É preciso não ter medo, é preciso ter coragem de dizer...” A frase de Marighella hoje, pode aparecer como um recado para àqueles que estão dispostos a lutar por outro projeto de sociedade. Além de o povo ter força, as ruas têm nos mostrado que é tempo de refazer a história do país. Tempo de nos lançarmos no contato imediato com o povo e dele nos pintarmos, tempo de resgatar o trabalho de base, de gritar, dar voz aos muros, produzir cartazes.

                   O próximo 11 de julho será um dia histórico. Todas as centrais sindicais, organizações políticas e movimentos sociais paralisarão o país objetivando mudanças reais. Tal fato pode significar um novo período para a esquerda brasileira, bem como um progresso para a população. Será um dia de resgatarmos os grandes lutadores do povo e assim como eles, nos comprometermos com a luta a fim de conquistarmos tais transformações. 11 de Julho sejamos Dandara, Antônio Conselheiro, Carlos Marighella, Honestino Guimarães, Anatália...11 de julho, dia de luta! Às ruas por um projeto popular para o Brasil.



Floriza Soares Bezerra
Levante Popular da Juventude - RN